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NÃO QUERO APRENDER
J.A.Nobre

Um dia desses, enquanto tentava ajudar uma pessoa quanto ao uso do seu celular, ela saiu-se com a seguinte frase:

- Não quero aprender!

Confesso que no primeiro instante fiquei confuso diante dos sentimentos dos quais fui assolado: perplexidade, irritação e ... pena!

Apesar de em várias ocasiões ter convivido com situações similares, de maneira manifesta ou latente, é extremamente difícil compreender, principalmente para quem faz da sua vida profissional e pessoal o treinar, orientar, aconselhar e atuar como “coach”, que alguém não queira aprender, entender, dominar novos conhecimentos.
Pessoas que não querem aprender são dignas de pena, são mortos-vivos que esqueceram de entrar no seu “caixão”, que se aposentaram da vida, que perderam a curiosidade e o desejo de conhecer novas trilhas e enfrentar novos desafios. Evidentemente, devido às nossas limitações, não podemos querer ter todo o conhecimento a respeito de tudo que a vida nos oportuniza.
No entanto, até para sobreviver no nosso dia a dia, necessitamos dominar um bom volume de conhecimentos, noções básicas do uso de alguns materiais, máquinas, equipamentos e utensílios, tão presentes e praticamente indispensáveis nas nossas vidas.
Ainda um pouco transtornado com o episódio acima relatado, comecei a me perguntar:

- E eu, o que não quero, ou não estou querendo aprender?

Na maioria das vezes percebemos as deficiências dos outros, porém não conseguimos enxergar nossos próprios defeitos.
Ao examinar com um pouco de profundidade essa questão é possível resgatar de um passado longínquo e até mesmo recente, um volume considerável de temas, idéias e/ou conhecimentos os quais eu e/ou quem sabe você, não quisemos ou não queremos aprender, como por exemplo:
- matemática, inglês, química, física, italiano, ...
- informática, contabilidade, finanças, ...
- falar em público, vender, prestar um atendimento espetacular, ...
- planejar, organizar, dirigir e controlar recursos, ...
- lidar com pessoas, amar, conhecer e administrar expectativas, dar e receber “feedback”, e
- outros.

- Por que isso acontece?
- Qual o motivo que nos leva a agir dessa forma?

Em princípio, quando se ouve ou se diz que cada ser humano é um universo à parte, essa afirmação me parece muito apropriada, pois com freqüência nossas ações e reações nem sempre atendem a padrões eleitos como politicamente corretos.
O que cada um de nós pensamos, sentimos e agimos ou não, diante de determinadas situações é muito diferente e muitas vezes, está associado ao nosso estado mental, bem como ao que gostamos e/ou necessitamos ou ainda, consideramos importantes.
Sem dúvida, a maioria das pessoas faz suas escolhas tomando por base um ou todos esses motivos. Entretanto, pessoas com visão mais apurada vão mais além, relacionam as necessidades de conhecimento que podem provocar maiores oportunidades nas suas vidas pessoal e profissional. Esforçam-se para vencer suas barreiras internas, ou seja, buscam conhecer ou ao menos adquirir algum entendimento a respeito das coisas que o cercam. De certa forma tentam alcançar conhecimentos, os quais nem sempre traduzem o que mais lhe agradam, mas que entendem como importantes para o seu crescimento e desenvolvimento.
Profissionais que direcionam seu foco para o crescimento desenvolvem e resgatam uma habilidade muito comum na infância, mas que parece, ao menos para a maioria das pessoas, que à medida que crescemos vamos perdendo, que é a “curiosidade”.
O desejo de navegar por caminhos desconhecidos, ou seja, não nos contentarmos apenas com o que sabemos. Querer ir mais longe, ir ao encontro de novos conhecimentos e de novos campos.
São muitas as pessoas que tem preguiça para aprender, para pensar.
Certa vez, ao entrar numa empresa para realizar um seminário, me deparei com um cartaz sobre a porta de entrada da sala de treinamento, que dizia o seguinte:

“5% das pessoas pensam”;
15% das pessoas pensam que pensam e
80% das pessoas preferem morrer a pensar!”

Confesso que a princípio fiquei um pouco chocado, sendo aquele um lugar destinado ao treinamento e desenvolvimento de pessoas, considerei esse recado um tanto agressivo. No entanto, diante de frases como o título desse artigo, me vejo na obrigação de ao menos reavaliar minha posição, pois são muitas as pessoas que detestam pensar, pensar diferente, ir em busca de conhecimentos.

A vida, a cada dia, nos oportuniza novos e diferentes conhecimentos.

Existe um “causo” que conta mais ou menos assim:
O vivente estava nos últimos instantes de sua vida e o costume era colocar uma vela na mão do moribundo, para que ele se despedisse da vida com luz.
Não encontrando nenhuma vela, eis que um dos presentes sugeriu que lhe colocassem na mão um tição (pedaço de lenha acesa), ao que o moribundo exclamou, enquanto morria: morrendo e aprendendo!

Aprender e ensinar faz parte das nossas vidas.

- Eu quero aprender e você?





 
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